Cris (es)

"Errar é humano.Botar a culpa nos outros também." Millor

02/07/09


A festa é hoje!

Este post é um retorno aos meus amigos queridos que ontem me mimaram, torcendo para que eu tivesse um dia legal, de festa. E também para meus inimigos , que olham somente "as pinga" que tomo e não " os tombo" que levo.A vida como ela é...
Para quem não sabe, ontem foi meu niver. Um dia especial, cuja manhã foi bem bacana : telefonemas , emails, abraços gostosos, beijos mais ainda. Atendí dois clientes , disse que era meu aniversário apenas para um deles : o não chato e generoso.Tinha combinado almoçar com meus velhinhos num lugar qualquer e jantar com meu filho e nora em outro lugar qualquer. Lugares que fossem aconchegantes , de preço idem, afinal, eu pagaria para meus pais e meu filho pagaria pra mim. Mas a vida planejou diferente o dia. Eu estranhava o fato de passar do meio-dia e minha mãe ainda não ter me ligado cobrando 0 atraso . Chegando a casa deles para pegá-los, percebí algo estranho. Estava tudo muito quieto . A mãe passara mal durante a noite, uma crise aguda de labirintite e mais alguma coisa a ser diagnosticada. Estava acamada.Não me ligara antes para não me assustar e atrapalhar meu aniversário, pensava que iria passar.Não passou. Ao contrário, piorou muito .Assim,tive um aniversário atípico: em consultórios,farmácias,ambulatório , exames , supermercado.Enquanto isso , na minha casa - escritório a festa rolava solta:solicitei gentilmente aos meus fiéis colaboradores Eclotildes e Guilherme Tell - sob pena de atrasar seus salários - que fizessem um social e recebessem meus amigos - uns malas, segundo eles , que porventura aparecessem , já que eu tinha anunciado com antecedência que teria bolo e refrigerantes. Sou querida pra caramba , a bandeja do bolo está lá na geladeira, solitária , nua e ressequida .Foi uma festa sem aniversariante. E de arromba.Na minha semi curta existência , tive pouco lugar-comum.
Tarde da noite retiraram o soro da minha lindinha. Levei - a embora e fiquei por lá, já que haveria o embate Corinthians e Inter no Coliseu, digo, no Beira-Rio.
Fiquei muito contente com o resultado. na verdade, feliz pra cacete, parafraseando meu velho e delicado pai . Futebol é assim. Se ganha, se perde, ou se empata. Não sei onde ouví esse mantra do conformismo inevitável.

A festa é hoje. Acho. Com direito à karaokê com os alunos e tudo.

Aos meus queridos :Edu, Jens,Joca, Janaína, Adelaide,Ery, Aninha,Do, Jorginho,Georgia e Masini, Spider ( por telefone ) : Vocês me trouxeram aquele quentinho no coração , num dia especialmente tenso . Obrigadíssima por todo o carinho. Foi mais fácil.
Ps: Haverá um recadinho para cada um de vocês na Caixa de comentários do post anterior.

Beijão queridos.

30/06/09

Aniversário e loucura


Loucura está na moda.Pelo menos na novela das 8. A trama está conseguindo fazer com que nossas idiossincrasias diárias, muitas vezes inconfessáveis , sejam discutidas livremente com a família,nos bares, nas escolas. É a democratização das nossas doenças de alma...
Assisto apenas aos sábados, mas contando com a inenarrável colaboração da minha velhinha , que me atualiza via telefone quase diariamente ,posso acompanhar a
trajetória dos doidivanas. É um cardápio variado de comportamentos “excêntricos” para todos os gostos :o garoto milionário, carente e esquizofrênico, filho da dondoca fútil e fronteiriça ,a compulsiva sexual suburbana que casou com o guarda pela farda “- diploma não se veste!” , diz, toda cheia de razão, tem psicopata sedutora e golpista romantizada por um figurino anos 60,e até psiquiatra atrevido e bem resolvido que manda a sociedade hipócrita às favas , assumindo a paixão pela jovem negra e pobre,gostosona com o dobro do seu tamanho.
Talvez influenciadas , as pessoas estão falando mais de suas emoções,muitas vêzes fora de controle, suas pisadas, seus "defeitos de fabricação", e assumindo com naturalidade alguns comportamentos antes discriminados, alforriados que estão pelos novos limites da normalidade moderna.
Parece que a autora resolveu encarar de vez o psicológico humano, ela uma vítima de psicopatas que assassinaram sua filha há 20 anos . Pelo visto, não há criatividade que supere a experiência .

Até a próxima, pessoal...Beijos mil!

Ah!!!amanhã é meu niver!

20/06/09


Amor e futebol


Meu velhinho, contrariando a melhor tradição vêneto-carcamânica ,iniciada por meu avô quando este pisou pela primeira vez as areias da cidade de Santos , chegado da Itália pelo vapor Santa Maria , não é palmeirense.Talvez por intuir que não seria um homem rico ( de dinheiro ) , comerciante abastado, ou um empresário famoso no ramo de massas ou biscoitos, Ubaldo, a grande ovelha negra desportiva do clã dos Bondezan , é um gavião da fiel .De alma e coração roxos.E saco também, intimidade apenas confessada ao grande homem da família : Ian, seu neto, 1,92m de altura.
Nos finais de semana com jogo do coringão, lá estou irremediavelmente junto dele , temendo por seu coração , que durante os 90 minutos é submetido a toda sorte de impropérios hormonais e psíquicos. Como todo taurino e descendente de italianos, é comedido e nada ansioso : Quando 0x0 beneficia o timão, ele calmamente clama pelo gol : "unzinho só , time filho da p...." ; quando esse gol acontece, ele muda imediatamente de sofrimento e dá vazão ao otimismo arraigado : "Eles vão empatar, seus viados, vocês que não cuidem dessa merda..."; se eles cuidam da merda e não deixam empatar, vocifera : "Vamos, gente, mais um para ficarmos sossegados, vocês estão dando mole, cacete ..." Quando a situação desfavorece o Corinthians, ele sumariamente desliga a tv e fica com o contrôle na mão,emburrado, só voltando a ligar após uns agrados e uma xícara de chá de erva cidreira com algumas gotinhas de maracujina ( cerca de 90 ) habilmente preparado pela mãe, sempre atenta aos enfeites de porcelana sobre a mesinha da sala, os mais visados na eventualidade de um gol inimigo.

Na última quarta feira , dia do jogo contra um time estrangeiro lá do Rio Grande do Sul , fiquei sabendo pela mãe que ele foi dormir cedo ;dizia estar com dor de cabeça, mas ela adivinha que ele estava temeroso , fato imediatamente negado por ele, que tem orgulho de pertencer a uma estirpe de destemidos durões - os últimos , certamente , que só conhecem choro através dos filmes , assim mesmo, quando existe alguma "fresca" apaixonada pelo mocinho baleado.Dia 1 de julho próximo, a revanche, segundo alguns inter...nautas;O pai, sempre precavido, não comenta.Imagino que a erupção do Vesúvio deva ser fichinha perto do seu (dele) emocional até lá . Ontem , tentando amenizar a tensão, arrisco: " Também, pai, não precisa ficar pensando tanto no jogo, será dia do meu aniversário, portanto, um dia especial de qualquer maneira, né ?"... "- É, disse-me , com a sensibilidade costumeira,espero que você ganhe um presente do Corínthians " , respondeu quase suplicando...

14/06/09

Escolhas I



"...Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima..."
Paulo Vanzolini ( Cantada por Noite Ilustrada)

Era assim, não havia escapatória : ou éramos ingênuas sonhadoras ou ousadas desbravadoras . Muitas da primeira casta se orgulhavam do trunfo nas mãos (???) chamado virgindade , algumas vêzes arrastado a duras penas até o casamento ; o segundo tipo fazia (quase) tudo o que queria e não deixavam , em busca do prazer e da tal felicidade . Por uns amassos valia a pena pular o muro do colégio ; como valia beber escondido no baile só para tomar coragem e encarar aqueles olhos insistentes que desnudavam tão facilmente os decotes dissimulados ; valia a pena fumar no banheiro para transgredir a ordem. Haja balas de hortelãs!
A "pureza" perdida - ou achada - entre muitas paixões , fosse dentro de um fusca , na matiné ou no portão da melhor amiga também valia a pena. Aconteciam dramas também, nem tudo eram flores , rebeldia e mpb : uma gravidez inesperada transformava-se num caos familiar e social , só amenizado com um casamento às pressas , para remediar o dano e recuperar a honra da moça . Haja lágrimas!
Com os rapazes não era muito diferente , eram dois os (bio)tipos : adoráveis e atrapalhados tímidos para casar , atrevidos para cobiçar . Fora disso era o limbo da indefinição. Era a trupe dos indefinidos, dos sem sal, ora querendo ser de um jeito, ora precisando ser de outro. Haja intuição!
Era assim .Comparava-se um amor com outro para desmerecer quem se amava. Falava-se das qualidades de quem não se queria mais `aquele com quem se estava feliz.
E nesse clima equivocado, muitos casamentos aconteceram . Casamentos cruzados, pode-se dizer : cartesianos sonhadores com indisciplinados boêmios. O destino uniu - e o divórcio libertou - os improváveis .
Nesse laboratório chamado vida , não se morre de intensidade.

Boa semana, pessoal.

08/06/09

Cada emoção no seu quadrado...


Desde que me enveredei pelos caminhos blogosféricos , há quase 4 anos , eu não ficava tanto tempo distante ou, presente na intenção mas com a cabeça e com o espírito em outro lugar. Nem mesmo nas fases dos chiliques carentes , quando dava o pretenso tempo no blog ; eu sempre retornava antes do pretendido , ansiosa por me sentir procurada, validada , menos solitária...

Muita coisa aconteceu nesses tempos refletidos aqui . Aprofundamento interior, dependêncoia dos meus pais e independência do meu único filho , conflitos, amores , reciclagem profissional e até enfrentamento dos diversos demônios acumulados no peito e na alma . Nesse contexto o mundo virtual caiu-me como uma luva : me deslumbrava , me encantava , me apaixonava; aqui eu odiava, chorava , dava risada ; por aqui eu mandava recados, cutucava quem eu não gostava, fazia discursos como se estivesse num banquinho em praça pública , disputava a atenção de quem eu admirava, feito uma adolescente mimada. Me sentia egoísta por não poder fazer nada contra a miséria do mundo ou imperfeita demais por sentir ciúmes quando me apaixonava . Precisei passar por crises internas para entender que certamente quando levantava bandeiras estava mais propensa a ser aquilo que condenava, como a soma de dois e dois, como o macaco sentando no rabo. Aprendi que a graça e a ironia escondem sofrimentos e a libido desenfreada esconde a não aceitação. Ou não. Embarquei em quixotescas e prolixas conversas humanitárias sem perceber que eu podia rapidamente melhorar a vida do catador de lixo da minha rua , caso eu separasse e direcionasse o lixo para ele. Não atinava que eu podia salvar a vida de um acidentado se doasse sangue regularmente em vez de me exaltar com o trânsito da minha cidade através de um texto inflamado. Que teria mais saúde se parasse para almoçar, parasse para dormir . Era cômodo e muito mais fácil me relacionar assim, conhecer gentes , experimentar emoções, dar vazão às minhas curiosidades de forma menos tímida, desafiar meus preconceitos, me testar e me colocar à prova, virtualmente.Sem sair de casa , sem enfrentar filas,sem comprar roupa nova , sem precisar estar bem . Era como ter uma vida estepe,sempre pronta e cheia quando a outra se esvaziava . E as frustrações se resolviam rapidamente, bastava deletar o causador.

Valeu cada instante vivido aqui.Intenso e profundo , como preciso que seja cada instante da minha existência. Conheci pessoas que jamais quero me distanciar, ao contrário, a promessa de um cafezinho é dívida, né não, Adelaide? Através de você, linda , falo a todos que estão linkados no "garimpo",todos com a mesma importância afetiva, alguns com mais intimidade circunstancial. Parece uma despedida? Só parece. É um recomeço apenas. Esse espaço se tornou importante demais para acabar. Só que ele não é mais minha única forma de expressão e comunicação , além do trabalho e da família. Não é mais a única forma de trocar afeto. É pouco. Deixo a vida real emergir além do profissional, do familiar ; aquela vida real feita de toques,de olhos brilhantes, de esperas, de beijos , cheiros, gostos, sorrisos , mãos estendidas , abraços apertados e quentes . Vida real onde está o homem amado .

Até mais , pessoal. Beijo e cheiro. Vou visitá-los logo. Um por um...