Cada emoção no seu quadrado...
Desde que me enveredei pelos caminhos blogosféricos , há quase 4 anos , eu não ficava tanto tempo distante ou, presente na intenção mas com a cabeça e com o espírito em outro lugar. Nem mesmo nas fases dos chiliques carentes , quando dava o pretenso tempo no blog ; eu sempre retornava antes do pretendido , ansiosa por me sentir procurada, validada , menos solitária...
Muita coisa aconteceu nesses tempos refletidos aqui . Aprofundamento interior, dependêncoia dos meus pais e independência do meu único filho , conflitos, amores , reciclagem profissional e até enfrentamento dos diversos demônios acumulados no peito e na alma . Nesse contexto o mundo virtual caiu-me como uma luva : me deslumbrava , me encantava , me apaixonava; aqui eu odiava, chorava , dava risada ; por aqui eu mandava recados, cutucava quem eu não gostava, fazia discursos como se estivesse num banquinho em praça pública , disputava a atenção de quem eu admirava, feito uma adolescente mimada. Me sentia egoísta por não poder fazer nada contra a miséria do mundo ou imperfeita demais por sentir ciúmes quando me apaixonava . Precisei passar por crises internas para entender que certamente quando levantava bandeiras estava mais propensa a ser aquilo que condenava, como a soma de dois e dois, como o macaco sentando no rabo. Aprendi que a graça e a ironia escondem sofrimentos e a libido desenfreada esconde a não aceitação. Ou não. Embarquei em quixotescas e prolixas conversas humanitárias sem perceber que eu podia rapidamente melhorar a vida do catador de lixo da minha rua , caso eu separasse e direcionasse o lixo para ele. Não atinava que eu podia salvar a vida de um acidentado se doasse sangue regularmente em vez de me exaltar com o trânsito da minha cidade através de um texto inflamado. Que teria mais saúde se parasse para almoçar, parasse para dormir . Era cômodo e muito mais fácil me relacionar assim, conhecer gentes , experimentar emoções, dar vazão às minhas curiosidades de forma menos tímida, desafiar meus preconceitos, me testar e me colocar à prova, virtualmente.Sem sair de casa , sem enfrentar filas,sem comprar roupa nova , sem precisar estar bem . Era como ter uma vida estepe,sempre pronta e cheia quando a outra se esvaziava . E as frustrações se resolviam rapidamente, bastava deletar o causador.
Valeu cada instante vivido aqui.Intenso e profundo , como preciso que seja cada instante da minha existência. Conheci pessoas que jamais quero me distanciar, ao contrário, a promessa de um cafezinho é dívida, né não, Adelaide? Através de você, linda , falo a todos que estão linkados no "garimpo",todos com a mesma importância afetiva, alguns com mais intimidade circunstancial. Parece uma despedida? Só parece. É um recomeço apenas. Esse espaço se tornou importante demais para acabar. Só que ele não é mais minha única forma de expressão e comunicação , além do trabalho e da família. Não é mais a única forma de trocar afeto. É pouco. Deixo a vida real emergir além do profissional, do familiar ; aquela vida real feita de toques,de olhos brilhantes, de esperas, de beijos , cheiros, gostos, sorrisos , mãos estendidas , abraços apertados e quentes . Vida real onde está o homem amado .
Até mais , pessoal. Beijo e cheiro. Vou visitá-los logo. Um por um...